segunda-feira, 28 de julho de 2014

CONVERSAS PRIVADAS EM NEVERLAND COM MICHAEL JACKSON (23)


LIZ 

''Recebi uma chamada de Michael uma tarde e como sempre a primeira coisa que ele disse foi: " Barney, é Michael."

Já havia lhe dito muitas vezes que a segunda parte não era necessária porque sua voz era muito reconhecível. No entanto, não mudou. Ele parecia pensar que ele deveria identificar-se.

Então ele disse: "Eu vou te perguntar uma coisa e você tem que prometer dizer sim."

Isso sempre me fazia rir e eu sempre dizia "Ok, sim."

"Venha para o rancho. Eu tenho uma surpresa para você", disse ele.

Quando cheguei lá, ele estava saindo da casa.

Eu disse: "Ei Michael, o que é?"

"O que você acha sobre eu te apresentar uma grande amiga minha?"

"Claro", eu disse.

"Está bem, siga-me", disse ele.

Caminhamos até a casa do lago ao lado do estacionamento. Michael bateu na porta. Um homem jovem, o qual eu me recordo que Michael me apresentou como sendo Jean Claude, abriu a porta.

Michael perguntou se o cão estava fora do quarto e Jean Claude disse que sim. Quando entramos, Michael disse: "Elizabeth, este é meu bom amigo Barney."

Ela olhou para mim e disse: "Muito prazer, Barney. Eu sou Elizabeth Taylor.''

Andei em direção a ela, eu apertei sua mão e disse-lhe que o prazer era meu.

"Você conhece o meu assistente, Jean Claude?"

"Sim, eu o conheço", eu disse, olhando para ela com um sorriso. "Michael nos apresentou no caminho até aqui."

Elizabeth estava sentada na cama com travesseiros atrás dela e um cobertor sobre as pernas. Michael e eu me sentamos no peitoril da janela à sua esquerda.

Michael balançou as pernas certificando-se que elas estavam fora do alcance do cão. Quando entrou depois eu vi que era apenas um pequeno poodle branco que não prestava atenção a qualquer um de nós e foi até uma cesta de Louis Vuitton e saltou para ir dormir.

Nos sentamos na janela, falando somente de vez em quando durante as próximas duas horas, enquanto Elizabeth nos colocava a par de sua vida. 

De seus sete maridos, ainda que tenha deixado claro que ela tinha amado de forma especial cada um, o único que ela realmente tinha amado foi Michael Todd, que morreu em um acidente de avião em 1958. Morreu quando tinham cerca de um ano de casamento. 

Ela disse que estava sentada à mesa, não me lembro onde, quando viu entrar uma amiga e vir em sua direção. Ele disse que sabia o que ia ouvir até mesmo antes dela falar. Ela não podia explicar como sabia, mas quando levantou-se ela percebeu que o marido estava morto.

Elizabeth se expressava muito bem, com um leve sotaque porém de alta classe no modo de pronunciar certas palavras. Ele tinha um sorriso encantador e os olhos bonitos. Sua beleza era ainda evidente. Michael e Elizabeth foram bons amigos durante anos. Na verdade, seu último casamento foi realizado em Neverland.

Eu não lembro-me como acabamos conversando naquela tarde, mas lembro-me que enquanto Michael e eu voltávamos para casa, ele me perguntou o que eu achava dela. 

Eu lhe disse que achava que ela era uma mulher adorável, mas a minha impressão geral era de que esta mulher tinha aperfeiçoado a arte de usar os homens. Aperfeiçoado ao ponto de que nenhuma mulher que tivesse tirado proveito de um homem poderia fazê-lo, porque Elizabeth Taylor os fazia sentir-se orgulhosos.

Como eles diziam: ''Ela é valiosa em seu gênero.'' Tinha uma coleção de jóias de qualidade, pinturas, móveis e proveniente não apenas de seus maridos.

Michael disse: "Eu sei. Não é ótimo?"

"Eu acho que eu concordo com você", eu respondi.

"Quer ver o que ela me deu para o Natal", perguntou Michael.

"Claro que sim, deixe-me ver", eu disse.

Nós fomos ao seu escritório. De uma gaveta em sua mesa, ele retirou uma carta aberta, tesoura, grampeador e outras coisas de escritório. Cada um dessas coisas tinha pelo menos uma parte em vidro dentro do qual havia centenas de pequenos diamantes flutuando no óleo transparente. 

Michael agitou os objetos para mostrar como os diamantes se moviam no óleo e brilhavam na luz. Eu disse que eles pareciam muito bonitos e, em seguida, lhe perguntei o que ele tinha comprado a ela para o Natal

"Você se lembra do relógio de milhões de dólares que eu te mostrei?" disse.

"Nunca me esquecerei", eu disse.

"Eu consegui a mesma versão para o feminino", disse ele.

"Deus, Michael, um relógio de meio milhão de dólares?", eu disse.

"Quase", disse ele com um sorriso tímido.

Eu me lembro de pensar enquanto saíamos do escritório... "Ela é única."

Isso me lembrava uma frase de uma música de James Taylor: "Ela recebe longas cartas, em troca envia postais.''

Michael e eu entramos na casa para o jantar e em seguida, nos reunimos com Elizabeth no cinema para ver um filme.Nós três nos acomodamos em uma das camas hospitalares, Elizabeth e eu em cada lado de Michael. 

Nós realmente vimos muito pouco do filme porque estávamos conversando e rindo. Quando parti, saí sem fazer muito barulho deixando os dois no meio de uma conversa profunda. Elizabeth foi embora de helicóptero no dia seguinte da mesma forma que ela havia chegado.


Shirley Temple

Eu sei que este capítulo não é longo, mas o pouco que diz, para mim fala muito sobre Michael. Perguntei-lhe um dia, se ele conheceu Shirley Temple. Ele disse: "Sim, eu já a encontrei." Então eu perguntei o que ele tinha achado do encontro.

Ele disse: "Me levaram até o seu quarto e me deixaram sozinho. Ela entrou pela porta do outro lado e enquanto caminhávamos em direção ao outro, ela começou a chorar. E eu sabia o porquê. Coloquei meus braços em volta e disse: "Você sabe, não é?" E ela balançou a cabeça, chorando no meu ombro. O que nós compartilhamos era um desejo de infância, a qual nós nunca tivemos.''

Fonte e tradução: Rosane - blog Cartas Para Michael

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4 comentários:

  1. De uma coisa eu estou certa... Liz não tinha o que chamaríamos de uma ''personalidade suave''... a descrição do Barney a respeito de Liz é muito parecida com a de Frank Cascio.

    Michael também sempre foi intenso, mas de forma diferente..em outros pontos, ao meu ver.

    Acho que foi essa diferença que permitiu que ambos vivessem uma relação equilibrada. ♥

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    1. Eu entendo dessa maneira também amiga.

      Michael e ela se conheciam muito bem, sabiam e se entendiam um ao outro. Houve um equilíbrio entre ambos.

      E pode ser também que a profissão de Michael como cantor o aproximava mais do grande público, era um contato mais direto. Já uma atriz como a Liz, por mais que fosse famosa, ela não tinha o mesmo contato com o público. Então, Michael viveu mais esse lado do contato e convivência com as pessoas anônimas, comuns como nós.

      Ele era mais acessível em termos de convivência, haja vista que viajou muito. Michael foi aquele artista que ia ao encontro da multidão. Como diz a música do Milton Nascimento... "todo artista tem que ir aonde o povo está."

      A Liz, como atriz, não precisava fazer isso. Ficava mais em seu habitat mesmo.

      Ela devia causar um maior impacto nos homens comuns, anônimos, que não estavam acostumados com a sua personalidade forte vinda desde criança vivendo praticamente no mundo do cinema, das estrelas que estavam em torno dela. As exigências dela eram do mais alto padrão, ela deve ter sido mais influenciada pelo glamour de Hollywood.


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    2. É verdade, com frequência me deparo com fotos de Liz Taylor em sua época de ouro, são fotos retratando momentos de muito glamour.

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    3. E que mulher sortuda de ser tão próxima e ter a amizade fiel do nosso anjo por décadas!

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